10 motivos pra invenção do teletransporte ser mais importante do que a cura pro câncer
Filipe Kiss | Crônicas
Quem nunca teve aquela vontade de, de repente, estar perto (ou longe) de alguém? Quem nunca acordo muito atrasado pra alguma entrevista de emprego ou pra reunião mais importante do ano na empresa? Quem nunca atrasou pra uma festa porque a namorada demorou demais pra se arrumar? Todos esses problemas seriam resolvidos com um teletransporte. E eu vou listar aqui 10 motivos que me fazem achar que a invenção dessa tecnologia que nós tanto desejamos é mais importante do que a cura pro câncer.
1. Relacionamento Social
Gente, vamos combinar o seguinte: Se você tem câncer você não sai muito de casa. Se descobrem a cura pro bendito e você faz a cirurgia, você vai ter que se recuperar por um tempo. Ou seja, seus amigos serão obrigados a ir na sua casa, perder um tempo valioso se locomovendo até lá, te visitando, desejando melhoras e toda aquela baboseira que se diz pra uma pessoa que acabou de ser operada. Agora imagina a situação: você tem teletransporte; Você pode, em poucos minutos, visitar aquele seu amigo com câncer. E ainda sobra tempo pra visitar seus outros amigos. E a sua namorada. E a melhor amiga da sua namorada. E… Ah, vocês entenderam.
2. Economia
Quantos contratos foram fechados por quê alguém se curou do câncer? Você nunca ouviu o Willian Bonner dizer no Jornal Nacional: ‘E esta noite, o presidente Lula, depois de se curar de um câncer, fechou um acordo com Portugal que prevê a construção de uma ponte intercontinental’. E NUNCA vai ouvir. Você se curar de uma doença só é bom pra você. E pro médico que vai embolsar uma grana te curando. Ou seja, vai fazer você GASTAR dinheiro. Com o teletransporte, é exatamente o contrário. Você pode, num dia, visitar investidores ao redor do mundo. Fechar negócio com todos eles e, no fim do dia, marcar um Happy Hour na Irlanda e leva-los pra um puteiro na Rússia e hospedá-los num hotel em Tóquio. As possibilidades são infinitas!
3. Produtividade
Vamos direto ao ponto: O cara que acabou de se curar do câncer não vai trabalhar. Ele vai viajar, festejar e comemorar a cura. Ele vai estar apenas CONSUMINDO recursos ao invés de produzi-los. Em contra-partida, um feliz proprietário de teletransporte que tem que estar no serviço as 8h da manhã levanta as 7h40, toma um banho, toma seu café da manhã e chega no serviço as 7h59, até mesmo antes do chefe. Um funcionário que dormiu melhor vai produzir mais. Na hora do almoço ele não vai perder tempo se locomovendo até o restaurante, logo o horário de almoço pode ser reduzido, ou seja, mais tempo pra ele trabalhar. Na hora de ir pra casa, ele não vai se estressar por causa do trânsito. Logo, teletransporte aumenta a produtividade dos funcionários.
4. Humor
Ok, essa é difícil. Óbvio que uma pessoa recém-curada de câncer vai estar de bom humor. Afinal, ela não tem mais câncer. Mas esse bom humor passa. Uma hora ela cansa de festejar, de viajar e de curtir. Aí ela lembra que tem que voltar ao trabalho, aguentar o chefe mala, os clientes pau-no-cu e os colegas de trabalho burros. Um cidadão provido de teletransporte óbviamente tem que lidar com tudo isso. Mas ele se livra dessas coisas mais rápido, também. Ele bate cartão as 18h e às 18h05 ele já está no bar com os amigos, tomando aquela cervejinha esperta e curtindo sua sexta-feira. Logo, seu bom humor será mais constante e mais duradouro do que de uma pessoa recém-curada do câncer.
5. Transporte
Uma pessoa recém-curada de câncer precisa fazer acompanhamento médico. Ela vai sair com seu lindo carro popular às ruas e causar mais trânsito do que temos normalmente. Um indivíduo com teletransporte vai diminuir esse problema, tendo em vista que ele saíra de seu banheiro pro seu escritório, logo depois de escovar seus dentes, chegando no trabalho sem o suor das outras pessoas com quem ele dividiu o coletivo e com o hálito ainda fresco.
6. Necessidades
Amigo, você quer utilidade melhor prum teletransporte do que poder cagar na sua própria privada sempre que tiver vontade? Acho que nem temos o que discutir aqui né?
7. Realização de um sonho
Pra você sonhar com a cura do câncer, existem dois cenários possíveis: A) Você tem câncer. B) Alguém que você gosta muito tem câncer. Pra você sonhar com teletransporte, você só precisa assitir Jetsons. Ou Harry Potter, Steins Gate, Matrix ou qualquer filme de ficção Científica. Acho que o desejo das pessoas de um teletransporte supera até o desejo de ganhar na loteria. Só fica em segundo plano pois é mais fácil ganhar na loteria do que conseguir um teletransporte dando sopa por aí.
8. Praticidade
Socorrer um parente em casa, fazer as compras do mercado, visitar seu amigo com câncer, mandar seus filhos pra escola. Já falamos aqui de vários usos práticos do teletransporte. Aguardo a Lista de usos práticos da cura do câncer. (LISTA precisa contar mais de um item, portanto “Curar o paciente do câncer” não é uma lista válida).
9. O teletransporte vai curar o câncer.
Não diretamente, claro. Mas pensa só: Milhares de cientistas, viajando por laboratórios e hospitais do mundo todo em questão de segundos, dividindo informações e experiências pra encontrar a cura não só do câncer mas de várias outras doenças. Curar uma pessoa do câncer não garante a ela poderes de teletransporte, até onde eu sei.
10. Bagagem Cultural
Com teletransporte, aquele seu amigo do Facebook que mora na Austrália vai poder te conviar pro churrasco de fim de semana e você vai poder responder “Eu vou”. Arrume suas malas na sexta, depois do trabalho e chegue lá a tempo de ir pro barzinho com a galera. Visite os cangurus no sábado, participe do churrasco no domingo e vá trabalhar normalmente na segunda. E tudo isso sem precisar dormir numa cama de hotel vagabunda.
Ai estão, 10 ótimos motivos pra invenção do teletransporte ser mais importante do que a cura do câncer. Não sei vocês, mas eu aguardo ansiosamente pelo relógio que me permita fazer isso. Prometo que vou até colaborar na pesquisa pra encontrar a cura do câncer, assim que eu tiver meu teletransporte.
Um amigo que se vai
Filipe Kiss | Crônicas
Ano passado eu estive com a namorada em alguns momentos nada legais da vida dela. Ela perdeu muitas coisas importantes ano passado, como a Sara e a Danka, bichinhos que vão fazer uma falta enorme. Hoje, a @supervanilla on twitter" target="_blank">Marie perdeu um bichinho. Um gatinho, novo, que foi embora, sem mais nem menos e sem motivo aparente.
Eu não vou dizer que sei o quão triste é perder um bicho, já que o contato mais próximo que eu tive com isso foi com a Danka. Eu sinto falta dela, claro. Mas não é como se eu tivesse vivido com ela 11 anos da minha vida.
E sempre que alguém perde um amigo, alguém solta a frase ‘Nunca mais quero bicho nenhum’. E isso não faz o menor sentido. Apesar de todas as dores quando você perde um companheiro,nada se compara à alegria de chegar em casa cansado e ter alguém fazendo manha, pedindo um carinho na barriga, ronronando no seu colo. Nada se compara a sair pra passear com o cachorro no final de semana, atormentar o gato com um cabide ou ficar enchendo o saco do papagaio.
Ter um animal é mais do que ter uma responsabilidade. É ter um amigo sempre presente. É a amizade mais sincera, a amizade que menos exige e que mais retribui. A amizade mais intensa sem a menor falsidade, pretensão ou cobrança. Porque tudo que eles querem é um pouco de amor e carinho. E de ver um sorriso na cara dos ‘donos’, do mesmo jeito que eles sorriem pra gente.
No subterrâneo
Filipe Kiss | Crônicas
Eu nunca pensei que pudesse existir vida fora da terra. Ou debaixo dela, como é o caso. A questão é que, mesmo que existisse, eu nunca achei que iria presenciar as atividades desses povos. Daqueles de de fora da terra eu nunca presenciei. Só que hoje, em plena sexta feira, eu precisei presenciar a atividade daqueles que, daqui pra frente, eu vou chamar de povo subterrâneo.
Eu desci até o primeiro nível… Haviam alguns poucos habitantes, ou visitantes, como eu, não sei distinguir ao certo um do outro. O povo subterrâneo se parece demais com as pessoas normais. Eles estavam todos aglomerados. Pareciam esperar por alguma coisa. Me aproximei, sem falar com ninguém. Evitava até olhar para os lados. De repente, o chão estremeceu. Um vento forte atingiu a todos. As pessoas nem se abalaram. Eu não esperava por aquilo. Do nada, surgiu uma criatura metálica… As pessoas não a temiam. Ao contrário, se aproximavam da criatura. Alvoroçados, se aproximavam daquela coisa. A coisa abriu suas entranhas e algumas pessoas se livraram. Mas todos aqueles que estavam do lado de fora, entraram. Isso mesmo, entraram na criatura. Como elas pareciam não ter medo, resolvi me arriscar um pouco. Adentrei a criatura e, or incrivel que pareça, não era tão ruim. Havia várias pessoas em pé e, pasmem, bancos! Bancos para que as pessoas se sentassem. Encontrei um banco vazio e me sentei. Fiquei ali durante algum tempo, até que a criatura começou a se mover. Ele repetiu este movimento várias vezes. Comecei a cansar. Resolvi descer assim que ela abrisse suas entranhas novamente. E foi isso que eu fiz. Parei num lugar com várias e várias pessoas.
Segui o fluxo do movimento e qual foi a minha surpresa ao ver que as pessoas se dirigiam para outra criatura metálica? Tentei escapar, mas a multidão me arrastou pra dentro da criatura novamente. Finalmente, alguns minutos depois, consegui escapar. Tentei fugir daquele lugar. Mas a única saída era entrar em outras daquelas coisas terríveis. Assim que ela parou eu vi pessoas saindo… Eu vi a luz da superfície, e saí. Subindo na direção da luz, logo eu estava, novamente, de volta ao mundo normal.
Cara, eu odeio pegar metrô lotado. Principalmente às sextas-feiras.
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