Um amigo que se vai
Filipe Kiss | Crônicas
Ano passado eu estive com a namorada em alguns momentos nada legais da vida dela. Ela perdeu muitas coisas importantes ano passado, como a Sara e a Danka, bichinhos que vão fazer uma falta enorme. Hoje, a Marie perdeu um bichinho. Um gatinho, novo, que foi embora, sem mais nem menos e sem motivo aparente.
Eu não vou dizer que sei o quão triste é perder um bicho, já que o contato mais próximo que eu tive com isso foi com a Danka. Eu sinto falta dela, claro. Mas não é como se eu tivesse vivido com ela 11 anos da minha vida.
E sempre que alguém perde um amigo, alguém solta a frase ‘Nunca mais quero bicho nenhum’. E isso não faz o menor sentido. Apesar de todas as dores quando você perde um companheiro,nada se compara à alegria de chegar em casa cansado e ter alguém fazendo manha, pedindo um carinho na barriga, ronronando no seu colo. Nada se compara a sair pra passear com o cachorro no final de semana, atormentar o gato com um cabide ou ficar enchendo o saco do papagaio.
Ter um animal é mais do que ter uma responsabilidade. É ter um amigo sempre presente. É a amizade mais sincera, a amizade que menos exige e que mais retribui. A amizade mais intensa sem a menor falsidade, pretensão ou cobrança. Porque tudo que eles querem é um pouco de amor e carinho. E de ver um sorriso na cara dos ‘donos’, do mesmo jeito que eles sorriem pra gente.
No subterrâneo
Filipe Kiss | Crônicas
Eu nunca pensei que pudesse existir vida fora da terra. Ou debaixo dela, como é o caso. A questão é que, mesmo que existisse, eu nunca achei que iria presenciar as atividades desses povos. Daqueles de de fora da terra eu nunca presenciei. Só que hoje, em plena sexta feira, eu precisei presenciar a atividade daqueles que, daqui pra frente, eu vou chamar de povo subterrâneo.
Eu desci até o primeiro nível… Haviam alguns poucos habitantes, ou visitantes, como eu, não sei distinguir ao certo um do outro. O povo subterrâneo se parece demais com as pessoas normais. Eles estavam todos aglomerados. Pareciam esperar por alguma coisa. Me aproximei, sem falar com ninguém. Evitava até olhar para os lados. De repente, o chão estremeceu. Um vento forte atingiu a todos. As pessoas nem se abalaram. Eu não esperava por aquilo. Do nada, surgiu uma criatura metálica… As pessoas não a temiam. Ao contrário, se aproximavam da criatura. Alvoroçados, se aproximavam daquela coisa. A coisa abriu suas entranhas e algumas pessoas se livraram. Mas todos aqueles que estavam do lado de fora, entraram. Isso mesmo, entraram na criatura. Como elas pareciam não ter medo, resolvi me arriscar um pouco. Adentrei a criatura e, or incrivel que pareça, não era tão ruim. Havia várias pessoas em pé e, pasmem, bancos! Bancos para que as pessoas se sentassem. Encontrei um banco vazio e me sentei. Fiquei ali durante algum tempo, até que a criatura começou a se mover. Ele repetiu este movimento várias vezes. Comecei a cansar. Resolvi descer assim que ela abrisse suas entranhas novamente. E foi isso que eu fiz. Parei num lugar com várias e várias pessoas.
Segui o fluxo do movimento e qual foi a minha surpresa ao ver que as pessoas se dirigiam para outra criatura metálica? Tentei escapar, mas a multidão me arrastou pra dentro da criatura novamente. Finalmente, alguns minutos depois, consegui escapar. Tentei fugir daquele lugar. Mas a única saída era entrar em outras daquelas coisas terríveis. Assim que ela parou eu vi pessoas saindo… Eu vi a luz da superfície, e saí. Subindo na direção da luz, logo eu estava, novamente, de volta ao mundo normal.
Cara, eu odeio pegar metrô lotado. Principalmente às sextas-feiras.
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